17/06/2001, Grêmio Campeão da Copa do Brasil
Há exato um ano e um dia o Tricolor Gaúcho encerrava um
ciclo de grandes vitórias no futebol brasileiro e internacional. Depois de
ascender da Série B no início da década de 90, o Clube colecionou canecos de
todos os tipos, desde estaduais até Libertadores e títulos nacionais. O auge (1994/1996)
fica guardado na memória gremista como tempos inesquecíveis de supremacia
Gre-Nal.
Grêmio de Danrlei e Zinho campeão da Copa do Brasil 2001
De lá para cá, desde que Fernando Carvalho assumiu o Inter
em 2002, a gangorra virou de lado e o Colorado goza da supremacia inconteste tomada
do rival a mais de 12 anos ininterruptos. Nem mesmo nos anos em que o Tricolor
conquistou o Campeonato Gaúcho houve folga! Os títulos de 2006, 2007 e 2010 no
Rio Grande vieram acompanhados por duas Libertadores, uma Recopa e um Mundial
do Internacional. Nos demais, o time do Beira-Rio levava a Taça do Campeonato local
ou outras quaisquer.
Mas porque isso aconteceu?
Muitos culpam a torcida organizada Geral do Grêmio. Tem que
a Chame de “pé frio”, torcida incondicional que não cobra, enfim... pra mim,
torcida não ganha e nem perde jogo, até ajuda, mas não resolve o problema.
Geral do Grêmio
A responsabilidade é da A-C-O-M-O-D-A-Ç-Ã-O!!!
Lembro bem de um período no Inter, principalmente depois do
título da Copa do Brasil de 1992. Nas arquibancadas ecoava um cântico em clássico
mais ou menos assim: “primeira pra cá, segunda pra lá... primeira pra cá,
segunda pra lá...”. A Instituição se acomodou e pelas beiradas o Grêmio programava
um grande retorno. Dois, três anos depois aconteceu a redenção.
Praticamente a mesmíssima coisa aconteceu no início da
década passada, mas agora no Beira-Rio. Enquanto um saboreia o momento
conquistado com muito esforço e trabalho, deixa o rival tomar conta do espaço, vislumbrado
com a maré favorável.
E porque isso acontece?
Simples, quando se está por baixo, a primeira coisa que se
deve fazer é esquecer o co-irmão trabalhando estruturação dentro e fora de
campo com humildade, planejamento e responsabilidade. Alguém chega e dá um
basta! Vamos começar do jeito certo agora... deu de patetice!
Fernando Carvalho, um dos maiores dirigentes da história do futebol brasileiro
Mas porque a história deixa de se repetir e o Grêmio não
toma o lugar do Inter agora? Porque trabalha olhando o que se faz no
Beira-Rio!!! Hoje o tão criticado (até pelo atual mandatário) contrato da Arena
foi aprovado por unanimidade, uma atitude completamente imediatista para se
equiparar ao Inter, Clube que sediaria o Mundial de Seleções após uma grande
reforma em sua casa.
Montou-se times fortes no Grêmio também neste período, sempre
para se igualar, mas nada em trabalhos de médio e longo prazo e sim para
atender um anseio urgente por conquistas de seu torcedor. Mudam-se os times,
trocam-se os treinadores, se reformulam comissões técnicas, porém, sempre
trabalhando com curto prazo e pouco planejamento.
E o Inter?
Bom... até existe um grande planejamento estratégico para
mais de 50 anos. No entanto, desde que Fernando Carvalho se desligou do grupo
dirigente muitos desses pontos deixaram de ser observados.
Vamos aos exemplos...
O ex-presidente mesmo em recente entrevista declarou que já teria
vendido Leandro Damião há muito tempo. Por mais que eu, como torcedor e sócio
não goste da idéia de o Clube se desfazer do ídolo-goleador para pagar contas,
este tipo de gestão foi responsável por um dos períodos mais vitoriosos do
Inter.
Leandro Damião, campeão da Libertadores da América pelo Inter em 2010
Pergunto... o Beira-Rio não seria reformado sem empréstimos?
Sim, mas Pedro Affatatto se tornou oposição justamente porque a Fifa exigiu “garantias”
financeiras que extrapolaram este planejamento. Só que, senhores, para sediar o
Mundial mais um ponto do planejamento estratégico teve de ser desobedecido.
E os jogadores “baladas” então? Pois é, Jô e tantos outros
foram afastados por indisciplina no decorrer dos últimos anos e o Clube traz
agora Jorge Henrique dispensado pelos mesmos motivos do Corinthians e ainda,
pode estar fechando com Adriano Imperador. Reitero que não sou contra a vinda
deles, critico na verdade esta incoerência.
O “grande” problema é que Fernando Carvalho apóia o grupo
atual. Confesso que nas eleições do Conselho Deliberativo também votei Chapa
01, apesar de ter sido derrotada nas eleições passadas. Ficamos meio confusos na verdade, mas crentes que a divisão
do poder Colorado não ameace o plano que nos levou até aqui e pode nos dar ainda
mais.
Obras e projetos: Beira Rio x Arena
Abre o olho Inter! Se a gangorra virar são sempre uns 10 ou
12 anos de supremacia rival!!! Mas enquanto o Grêmio trabalha preocupado em se
igualar ao Inter à curto prazo, a Direção pode se dar ao luxo de não se
preocupar muito com isso.
Afinal, para um estar bem no futebol do RS, o outro
necessariamente vai estar mal!!!
Saudações Coloradas