quinta-feira, 19 de março de 2015

Missão cumprida, porém...

Inter consegue empate no Equador. Mas ficou um “gostinho de quero mais”!

Um resultado que atendeu as expectativas da comissão técnica. Depois de derrotar o Emelec em casa, não perder longe de Porto Alegre era tudo que D. Aguirre precisava. Preparando-se para se defender, escalou três zagueiros contra o Aimoré. Testou este esquema no Gauchão e foi a campo no Equador com a formação mais defensiva que montou até agora – e deu certo! Agora o Colorado está próximo da vaga, mas devido as circunstâncias da partida, o time podia ter arriscado mais.
O adversário de ontem é a equipe mais qualificada das outras três que o Inter encarou. Marcar quatro pontos sobre eles deu a margem que os brasileiros precisavam. Contudo, o treinador Colorado “exagerou” na cautela. Primeiro ao escalar Aránguiz ao invés de Vitinho. Antes mesmo da lesão, o chileno não estava bem. Voltou e foi titular com Alex solto e Sasha bem livre na frente. Poderia ter recuado Sasha e Alex para dar liberdade a Vitinho desde o início. Era o jogo para ele que tem velocidade nos contra-ataques. 

Aránguiz está devendo

Até aí, tudo bem, se releva. Inclusive, foi a primeira vez que o time do Inter estava compactado em 2015 com as linhas bem distribuídas. Aí um único erro de posicionamento do lateral Léo foi o suficiente para sair o gol do Emelec. Jogando sempre pelo lado de Fabrício, mesmo com a cobertura de um zagueiro, todo perigo nascia por lá. O cruzamento veio por aquele lado.
Desde meados de 30 minutos do primeiro tempo até o lance capital aos 10 do segundo, Aguirre confiava no gol de empate e não abria mão do terceiro homem de zaga. Foram 25 minutos muito mal em campo. Tanto que ao colocar Vitinho no jogo (no intervalo), foi Aránguiz que saiu e não um zagueiro. Em escanteio, Lastra do Emelec agrediu Réver. Amarelo para o Colorado e vermelho para o atleta equatoriano. Como obra do destino, na cobrança de tiro de canto, Vitinho marcou. Brilhava a estrela do técnico.
Com um a mais e 35 minutos pela frente, óbvio que os equatorianos sairiam para o jogo para o tudo ou nada. Mas o terceiro zagueiro foi mantido até o fim. Ânderson veio para campo no lugar de Alex, gerando explícito inconformismo no meia. Amarelado, Réver deu lugar a outro zagueiro (A. Costa). Aliás, se esse garoto vinha sendo titular porque foi reserva ontem?

Sasha é titular absoluto

No fim, pressão equatoriana e quase um gol. Mas o empate persistiu, alívio.
Vencedores se destacam pelas conquistas! E são oportunidades como estas que “colaboram” para alcançar vitórias. Foco, cautela e humildade são fundamentais, mas em um esporte tão imprevisível e nivelado como o futebol, não dá pra simplesmente deixar de tentar vencer como Aguirre fez ontem. Se o empate foi bom, os três pontos sacramentariam a vaga. A expulsão deu essa chance, mas o treinador não quis “tentar”. 
Agora, no Chile, o Inter não pode perder. Não perdendo, depende só de si diante o The Stronghest em casa para avançar de fase. A vaga está próxima.

Pitacos:

- Objetos ateados no campo;
- Pé na cara de Sasha;
- Isso é Libertadores! Mas ainda é futebol não um ringue ou uma arena de leões;
- Corinthians, o melhor time no Brasil até agora, segue firme na Libertadores;
- O São Paulo se salvou no fim e Ganso saiu vaiado;
- Já o CA Mineiro manteve viva as chances ao surpreender o Santa Fé fora de casa;
- O Cruzeiro é uma incógnita...

Saudações Coloradas

Imagens: Site do Inter

segunda-feira, 16 de março de 2015

Tudo entrando nos eixos

Dupla Gre-Nal vai subindo na tabela do Gauchão

O campeonato estadual deste ano estava sendo protagonizado pelos times do interior. O Inter fazendo das partidas como laboratório para a Libertadores ou utilizando-se de reservas para priorizar a competição continental perdia pontos alternadamente. Já o Grêmio com um grupo recheado de garotos sentia o peso da camisa com toda a dificuldade que meninos sentem diante equipes experientes. Passadas mais de 10 rodadas, os grandes da capital começam a tomar as rédeas do Certame, como de costume.

Recém chegados, mais experientes, estão melhorando rendimento da equipe

Primeiro temos de entender que a fragilidade dos pequenos em relação a Inter e Grêmio está relativizada. A maioria deles consegue se organizar melhor hoje em dia, mantendo parte significativa dos elencos de temporadas anteriores, contratando nomes bem conhecidos no cenário regional, até nacional.
Mas a grande diferença está mesmo no que a dupla Gre-Nal tinha a oferecer. O Inter, como era de se imaginar, não está tratando o Gauchão como competição prioritária. Por motivos óbvios, os tropeços são comuns em ano de Libertadores. Logo, o Grêmio tinha que sobrar! Mas longe disso, o time de Scolari passava vergonha. Em vezes longe da zona de classificação, resultados ruins se acumulavam.

Aproveitando oportunidades!

Se no Inter a tendência ainda é de tropeço aqui e acolá, já se vê mais corpo. Aguirre, mesmo com reservas ou mistões, vai se ambientalizando conseguindo construir resultados bons agora em sequencia. No Grêmio, o panorama mudou muito também. Para explicar isso melhor, vamos dar um exemplo bem simples: O jovem Lincoln, a meu ver, tem mais qualidade que a maioria dos jogadores do Grêmio. Talento nato! Um menino que trabalhado direito pode render ótimos frutos ao clube. Mas ele ainda é só um menino. Como promessa que é, esse garoto não vai conseguir jogar de igual para igual com a zagueirada rodada e casca-grossa que encontrar pela frente. Os caras não aliviam, ainda mais diante um gigante do nosso futebol como o Grêmio. Uma jóia rara destas precisa entrar aos poucos, disputando inclusive partidas na base ainda. Nem todo mundo nasce Pelé para com 17 anos encantar o mundo mesmo tão jovem. A chegada de jogadores mais experientes deu corpo a esse time. É inegável! Nas duas últimas vitórias pelo placar mínimo se viu imposição no Tricolor, poucos sustos. Resultados que não chamam atenção pelo placar, mas sim pela construção deles.

Estadual pode afastar jejum de títulos 

A verdade é que o Grêmio é outro time e o Inter começa a vencer com maior repetição. Claro, campeonato gaúcho não serve de parâmetro para muita coisa mesmo com tamanha evolução dos times menores, entretanto, Brasil, Ypiranga e Cruzeiro foram derrotados pela dupla Gre-Nal nas últimas rodadas. Vitórias construídas com autoridade diante três dos melhores times do Estadual.

Saudações Coloradas

Imagem: Jornal NH, ClicRBS

sexta-feira, 13 de março de 2015

O ciclo no futebol e suas mazelas

Explicando o Inter para entender a necessidade do Grêmio

Saindo um pouco das questões de futebol propriamente ditas, falamos agora da importância que assuntos extra-campo influenciam na construção das equipes.
Muitos associados do Grêmio, irritados pela falta de títulos e pela compra de jogadores “mais baratos” (menos conhecidos), deixam de se associar ou até cancelam suas matrículas. Estes torcedores estão “completamente” errados. O clube passa por um momento de enxágüe para colocar a casa em ordem. O recurso das mensalidades de sócios é fundamental neste momento. Para demonstrar a situação, vamos apresentar o caso do Inter.

O novo Beira-Rio e todo seu contexto custou a mudança de poder no Inter

Publicado no Colorado ZH do ClicRBS na última terça-feira, uma matéria chamou a atenção de todos: “Déficit do Inter em 2014 deve atingir marca dos R$ 40 milhões – Se números forem confirmados, será o valor mais alto da história do clube [1]. O título da matéria fala por si só. Mas como isso aconteceu? Simples... a diretoria até 2014 dirigiu o Inter por mais de uma década. Este grupo (Movimento Inter Grande) foi responsável pela fase de maior conquistas do clube. Mas nos últimos anos investiu pesado na reforma de sua casa, restando recursos limitados para o futebol. Um legado que fica, mas que desencadeou temporadas sem grandes conquistas.
Um homem forte deste MIG, o ex-presidente Vitório Píffero, junto com um grupo de ex-componentes do mesmo movimento, se uniu a outras lideranças. Dentre elas, podemos citar o “Convergência Colorada”. Estes homens haviam se rebelado no passado justamente porque não concordaram com as tratativas financeiras para a reforma do Beira-Rio, em especial, com o contrato de parceria.
Então, em 2014, o presidente Giovani Luigi precisava de “um grande título” para fazer seu sucessor, empolgando a torcida a votar em seu movimento. O clube “não vendeu ninguém”, contrário justamente ao que o próprio MIG liderado por seu patrono Fernando Carvalho em seus primórdios, sempre defendeu. O elenco foi totalmente mantido e a “grana” que está faltando nesta conta vem de Aránguiz. Sim, do chileno! A proposta estava na mesa, mas a diretoria preferiu segurar o jogador acreditando em sucesso pelo Campeonato Nacional.

Sem recursos, Grêmio construiu a Arena em parceria... qual será o custo final disso?

No ano passado, a fé no título brasileiro era tão forte que Copa do Brasil e Sul Americana nem eram prioridades. O foco sempre foi o Brasileirão. Abel demorou para encontrar a formação ideal, mas em meados de setembro e outubro, quando a “coisa ganhou corpo”, ele perdeu J. Henrique e depois Sasha por contusão. Peças fundamentais em um time que “podia” brigar pelo caneco.
O título não veio. A vaga na Libertadores não foi suficiente para convencer o associado em manter a situação no poder. Em contrapartida, a oposição montou sua plataforma de campanha falando em “superávit de taças... isso é um clube de futebol, não uma empresa”;  com aproximadamente 70% dos votos, venceu o pleito.
Pra mim, ao menos, a idéia era clara! Vencer o brasileirão, vender Aránguiz na janela intermediária e contratar dois ou três jogadores a pedido de Abel para a disputa da Libertadores. Mas como o contexto político mudou e o compromisso por mudanças e grandes títulos venceram a eleição, um novo técnico foi chamado e uma série de atletas renomados assinaram com o Inter.
No Grêmio, principalmente em 2013, algo muito parecido aconteceu. Ocorre que grandes conquistas não são alcançadas sem um elenco homogêneo formado em um período considerado de tempo. Questões patrimoniais também fizeram parte do recente momento político gremista.
Logo, no Tricolor o processo se assemelha ao que o antecessor de Fernando Carvalho, o saudoso Fernando Miranda fez em 2000/2001. Enxugue, cortes e economia. Depois, já com o MIG no poder, foi a hora de manter um grupo contratando aqui e acolá sem maiores extravagâncias, vendendo jovens formados na base para equilibrar as finanças.

As categorias de base da dupla Gre-Nal são fontes inesgotáveis de talentos

Enquanto no Grêmio o torcedor “precisa” compreender esta situação e colaborar se associando a ideia, no Inter o cuidado deve ser para não gastar mais do que pode. Uma taça “embriaga” o torcedor que deixa de “ver” a realidade que rola por trás de um título. O mesmo vale para o momento da contratação de um atleta badalado. Um time pode ser forte mesmo com um clube fraco, coisa para uma ou duas temporadas. Mas apenas um clube forte tem equipes competitivas sempre. A linha entre a acerto e o erro é extremamente tênue. Qualquer falha neste processo pode colocar anos e anos de trabalho ralo abaixo.

Saudações Coloradas

[1] Dispoível em http://zh.clicrbs.com.br
Imagens: ClicRBS

segunda-feira, 9 de março de 2015

Inter perde invencibilidade no Gauchão

As invenções de Aguirre e o resultado em Caxias

Ontem o técnico Aguirre errou. Inventou muito! Ernando lateral? A. Ruschel volante? Valdívia caindo na direita? Um time reserva naturalmente desentrosado, com esse monte de invenções deixa mais a desejar ainda. Mas ninguém inventou mais que Muriel. Uma falha individual grotesca que colocou tudo a perder.
Não podemos tirar os méritos do bom Juventude, que fez e vem fazendo o simples por uma bola, fechadinho atrás para surpreender. Mas ainda, lembro todos, é um time de série C!
Aqui mesmo no Blog, na véspera da partida com a La U, me manifestei quanto minha posição contrária a esse tipo de ideia mirabolante não só do treinador do Inter, mas de muitos profissionais da área. Em meu entendimento, futebol é uma coisa simples. Contudo contra os chilenos ele inventou, deu certo. Contra o Emelec idem. O que dizer?

Tranquilo, treinador do Inter mantém serenidade 

Repito, futebol é simples, quanto menos se inventa, melhor. Porém, o técnico ainda tem crédito. Queimou minha língua e de muito cronista esportivo entendido, caras renomados neste meio.
Contra o Juventude as coisas não aconteceram e agora a recuperação tem de ser em casa, provavelmente com força máxima diante o Aimoré. O Colorado quer o Estadual, Libertadores, tudo. Mas a hora de errar e testar é mesmo no Gauchão. Com isso, concluo dizendo que Diego segue com crédito, mas precisa abrir os olhos! O técnico pediu 30 dias para deixar o time pronto e já se passaram duas semanas. Neste jogo foram os reservas, mas serviu de alerta para toda crítica.
Em debate não só os erros individuais em campo, mas a forma como o treinador escolheu para dar ritmo a todo o grupo.

Saudações Coloradas

Imagem: Clic RBS

domingo, 8 de março de 2015

O Grêmio em dois tempos

Um pouco de cancha e bastidores do Tricolor

O clube foi compras e está próximo de anunciar outro reforço. Primeiro foi B. Rodríguez, agora está acertado com Maicon do São Paulo. Por lá se havia dito (por meio de Rui Costa, executivo de futebol) sua intenção de segurar contratações até a metade da temporada. Com uma nova posição anunciada pelo presidente Romildo Bolzan, parece que as coisas mudaram de rumo. No campo, o time começou errando demais contra o Caxias, mas depois da pintura de Douglas em um gol que lembrou a velha casa, o time da capital tomou conta da partida e faturou com 3x1 tranquilamente.
Desde a estreia do Grêmio em 2015 até o momento, ao menos aqui no Blog, meu discurso é o mesmo! O time precisa de contratações. Falo em quatro que cheguem para jogar, titulares. Sempre defendi a posição da diretoria em conter gastos, é louvável! Mas as apostas na garotada estava “estragando” toda uma geração, queimando etapas importantes na formação de atletas com muita qualidade.
Claro, nenhum dos recém chegados vão “resolver” os problemas, mas devem agregar experiência, mais cancha nesta equipe recheada de jovens. Braian conheço pouco e pelo que pude apurar é um centroavante brigador, oportunista que incorporará o espírito do clube. Está longe da qualidade de M. Moreno, anos-luz do que Barcos. Contudo, ainda é um cara de área. Expectativa de brigar pela vaga de Y. Mamute e, porque não, até de jogarem juntos, apesar de que, no atual esquema, seja improvável.
 
Gringo chegou com a missão de fazer gols
 
Maicon é um jogador extremamente técnico. De toque refinado vai dar qualidade na meia. Seu problema é a dificuldade com a balança! Na posição que ocupa, segundo ou terceiro volante, a forma física conta demais. Devido isso, está em baixa no Tricolor paulista.
Como vimos, são “apostas”. E digo... o Grêmio deve apostar, ao menos, mais duas vezes. Jogadores como Geromel, Luan e Ramiro estão voltando. Giuliano está em fase de readaptação. Com novos contratados, enxertando esse time com a piazada, aí sim o bixo não vai ser tão feio como estávamos desenhando. Mas ainda assim, precisa encaixar. Logo, esperar até o meio do ano é uma economia de meses em salário “burra”. A temporada é longa, contusões e suspensões são corriqueiras. Deve haver opções para o técnico trabalhar as ausências.
Aí, vejam... chamo atenção a outra coisa... recentemente F. Koff saiu da direção de futebol. Tudo no mesmo momento da mudança nos rumos do declarado “planejamento de contratações”. Coincidência? O velho diretor declarou (ao menos é o que está em nota no site do Grêmio) que se afastou por problemas particulares. Deixando a pasta do futebol, ficou apenas com os trabalhos junto a OAS e este imbróglio que se tornou as propostas de um novo acordo com a parceira. Coisas internas...
 
Koff não está mais na cúpula do futebol

O certo é que o Tricolor está correndo atrás do tempo perdido. Uma boa sequencia de vitórias no Estadual é tudo que Felipão precisa agora para ter tranquilidade para trabalhar os recém chegados e os que retornam de lesão. Não basta montar um bom time, a temporada é longa e o elenco tem de estar condizente com a equipe principal.
Em relação ao jogo diante o Caxias, “rápidas” sobre os “Marcelos” do Grêmio. O jovem M. Hermes “pode” ser a solução para a lateral esquerda, mas ainda é cedo para concluir até porque Gauchão não é parâmetro. M. Oliveira, o polivalente, errou passes no início, quase comprometeu. Mas é um cara de extrema confiança de Scolari e se redimiu dentro do jogo roubando a bola e fazendo gol inclusive. O goleiro M. Grohe, recém convocado, foi chamado para a seleção graças sua temporada passada porque, neste ano, está falhando muito.
Taticamente falando, o time se desenha no 4-2-3-1. Parece o mais correto porque os meias recompõem (até Douglas está voltando). Galhardo sobe muito enquanto os volantes M. Oliveira e F. Bastos não são “cães de guarda” (nem Maicon). Todos tem características mais técnicas. Sem um exímio primeiro volante, fica desprotegido demais a escalação de um segundo atacante. Sacrifício para o centroavante que acaba isolado entre a zaga.
Pra finalizar, A. Luiz, lateral do Caxias, devia ser “banido” do futebol. Aquela entrada criminosa, por trás e covarde com o joelho nas costas do Y. Mamute é inaceitável. Correto o cartão vermelho direto no Zuñiga dos pampas.

Saudações Coloradas

Imagens: Globo.com e Portal "Mesa do Bar do Grêmio"

quinta-feira, 5 de março de 2015

Na base do “vamo que vamo”

Com muito sofrimento, Inter vence e se mantém vivo na Libertadores

A partida de ontem contra o Emelec é do tipo que o torcedor gosta. Resultado com virada, “revirada”, emoção, enfim... ingredientes para festas tanto no estádio como nos pontos de encontro formados para assistir a Libertadores pela TV. Aquele embate de fã sair comemorando com alegria e satisfação.  Mas não dá para fazer uma análise tática! Simplesmente porque o Inter não tem um padrão de jogo. Vitória na vontade, na garra e se valendo do fator casa... só!
Me estranhou a opção de D. Aguirre em manter J. Henrique no banco. Depois de uma apresentação satisfatória diante a La U e não ter sido aproveitado no Gre-Nal, nada mais lógico que entrar como titular, dar sequencia. Vitinho começou entre os 11 e não foi bem. Sem Aránguiz contundido e não podendo recorrer a Ânderson que sentiu durante a semana, D’Alessandro era o toque refinado naquela equipe com Alex no banco como opção.

Alex entrou no decorrer do jogo e fez o gol de empate

Tudo começou muito bem, com passe milimétrico de “Cabezón” colocando Nilmar para correr e driblar pelo lado esquerdo. Gol Colorado! Aliás, que partida do Nilmar! Bem aberto, longe da área e jogando de frente, ele se transforma em uma opção importante. Mas foi coisa de time que joga em casa, primeiros minutos que os visitantes sofrem a pressão inicial do time empurrado pela torcida.
Depois veio o empate, a contusão de D’Alessandro (entrada de Alex) e a virada. Fim de um primeiro tempo igual o início do segundo, com os equatorianos jogando mais e melhor que o Colorado. Os gols foram em duas saídas erradas. Ambos com participação direta de Fabrício. Isso porque no primeiro o autor do gol evoluiu nas costas dele e, no segundo, a própria saída foi cometido pelo lateral Colorado. Definitivamente o lado esquerdo de Fabrício é o ponto fraco desta equipe.
Esperando os erros de um time que não triangulava, não armava e sem conseguir profundidade, o Emelec fazia uma apresentação inteligente. Era muito perigoso! Até que Rever resolveu carregar a bola até o meio (que não é papel de zagueiro), entregá-la a Nilmar que serviu com estilo seu companheiro Alex. O empate incendiou o Beira-Rio. Aí a partida tomou ares dramáticos. Os visitantes mais bem arrumados, esperando a oportunidade de encaixar o contra-golpe mortal contra um Inter naquele “vamo que vamo”.

Nilmar, o nome do jogo!

Aguirre precisava de armação. Sem D’Ale contundido e com Alex já em campo mais enfiado (por suas características joga mais perto da área do que no meio-campo), não tinha opções no banco para tal. Então, ao colocar Luque e J. Henrique no lugar de Vitinho e Nico Freitas, o seu “esquema de jogo” não mudou muito. Não tinha muito o que mudar também. Com muita entrega e disposição, o Inter seria premiado com um gol de Rever após rebote do goleiro. Um 3x2 fundamental para as pretensões do clube gaúcho na competição continental.
A verdade é que o Inter não fez uma boa partida ontem... nem convenceu ninguém desde o início da temporada. Quando venceu seus oponentes mais fortes, isso se deu na base da determinação e da garra. O que é bom, mas não pode ser o único alicerce de quem quer ser campeão. 
Os pontos fracos do time estão muito gritantes. Alisson e A. Costa se salvam, mas Rever esteve mal posicionado e os laterais pior ainda. Fabrício então, deusolivre! Está passando seu pior momento técnico desde que ingressou no time titular do Internacional. Isso porque vem sendo mais cobrado, mais acionado pelo adversário que força o jogo pelo seu lado. Com a qualidade do meio e do ataque, obtendo um posicionamento em linhas mais satisfatório, mesmo com esses constantes erros defensivos, o time pode evoluir. Ressalvo apenas que Sasha vem fazendo um papel importantíssimo. Não brilha muito para a torcida, mas seu poder de recomposição está “salvando” o time de muita coisa.

Iniciou a jogada do segundo gol, marcou o tento da vitória! Rever foi o herói da partida, mas precisa melhorar muito na zaga ainda

Nilmar também sentiu no fim do confronto e ficou em campo apenas fazendo número porque não haviam mais substituições. Somado aos outros contundidos, o departamento médico Colorado terá muito trabalho para deixar os titulares a disposição do técnico no dia 18. A partida no Equador diante o mesmo Emelec é para não perder. Um empate pode encaminhar as coisas. Tempo de 15 dias para Aguirre acertar esta linha defensiva e enquadrar a dupla de volantes. De repente seja menos ousado, mas segurança no meio é importante em um time que não consegue aproximar as linhas. Ânderson e Aránguiz vão perdendo espaços.

Saudações Coloradas

Imagens: Site do Inter

segunda-feira, 2 de março de 2015

Jogo de xadrez no Gre-Nal da paz

Clássico termina empatado sem gols

Foi interessante a partida de ontem. Apesar de um embate feio, travado e sem maiores emoções, algumas alternativas foram bem surpreendentes.
Começando pela escalação gremista, me chamou a atenção a opção de M. Rodriguez ao invés do bom Galhardo na lateral. O gringo tem maior poder de marcação e ganhou todas pelo seu lado. Com três volantes, Scolari tinha uma proposta muito bem definida, jogar no erro adversário. No primeiro tempo deu muito certo e por pouco não marcou um gol. 
Do lado Colorado, um mistão de luxo. Desentrosado, lento e individualista demais, o Inter não tinha saída. O Grêmio, como disse antes, se aproveitava disso para evoluir quando roubava a bola. Ânderson foi bem até o intervalo, já pelo lado de Winck, era uma verdadeira avenida.

O Grêmio não deu espaços para os avanços do Inter

Depois do intervalo, uma ligeira mudança de postura deu equilíbrio ao jogo. Felipão acreditando na vitória, substituiu o valente Araújo pelo meia Giuliano. A entrada dele era provável, mas a mudança tirou o poder de marcação que fazia a diferença. Aguirre voltou com Vitinho na de Valdívia. Mais do mesmo, muito individualismo.
Sem triangular, com pouco toque de bola, o Internacional ainda assim tinha mais qualidade. Quase venceu no fim. Aliás, os dois goleiros foram eficientes, seguros e passou muito por eles o placar zerado. Durante todo o clássico, os donos da casa tiveram mais posse de bola, mas eu achei os visitantes mais inteligentes taticamente, principalmente no primeiro tempo. Scolari não foi feliz nas trocas, mas precisamos ressalvar que ele viu chances de ganhar. Por isso arriscou, mas colocou em risco toda a solidez de sua equipe.
Em termos de competição, o Gre-Nal valia pouco. Ambos devem se classificar porque o regulamento favorece demais os grandes. Pelo envolvimento dos clubes e da mídia em geral na promoção de paz nas arquibancadas, o clássico ficou registrado pela intenção da retomada da civilidade e do respeito entre seus torcedores. Mas valeu! O empate acabou sendo bom para ambos. Assim o Grêmio não entra em crise por perder para o misto do rival. Já o Inter não sai pressionado depois de vencer a primeira na Libertadores.

Histórico!

O Tricolor deve melhorar bastante com os retornos de Ramiro, Luan e Geromel. Apesar disso, a necessidade de contratar ainda é gritante. O time misto do Internacional é melhor que muito dos adversários que o Grêmio vai encarar na temporada. Mas ainda assim é um time de reservas. Serão muitas partidas, muitos compromissos em 2015. Tudo desencadeia suspensões, contusões, etc. Com seu elenco completo o Grêmio é limitado, imaginem desfalcado? Quatro titulares precisam desembarcar em Porto Alegre, senão Felipão vai ter de inventar muito para sobreviver.
Já o Colorado vira a chave! O jogo do meio de semana pela competição continental é fundamental. Vencer todas em casa depois da derrota na estréia é quase uma obrigação. Três pontos asseguram boas chances para o Internacional viajar tranqüilo e se dar ao luxo de tentar um mero empate contra o mesmo Emelec. Qualquer outro resultado complica a vida de D. Aguirre. O treinador sabe que “ainda” não conseguiu uma apresentação convincente. Mas o resultado é o que conta. Então, ele deve repetir o time da última partida escalando Nilmar no ataque. Nico Freitas pede passagem também, mas acho que ele vai segurar de novo. Esperar para ver.

Saudações Coloradas

Imagens: Site do Inter