quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Ranking de torcidas

Pesquisa indica que o Internacional tem um número maior de torcedores do que o Grêmio
 
Semana de Gre-Nal é assim! Se não tiver uma polêmica, não é Gre-Nal. Nesta que antecede o clássico 399, o tema das discussões e debates nos bares é o tamanho das torcidas. Qual tem a maior?
Segundo o Instituto Pesquisas de Opinião (IPO), cujo trabalho foi publicado ontem no blog “Teoria dos Jogos”, o Internacional tem a maior torcida do Rio Grande do Sul. O trabalho de campo foi realizado entre os dias 06 e 17 de novembro de 2013 ouvindo 1,5 mil entrevistados, dos quais, 42% declararam ser colorados.
 
 
Apesar de eu, autor deste texto, ser colorado, sempre acreditei que o Grêmio tinha um maior número de fãs que o Inter. Todas as pesquisas indicavam isso. Portanto, é a primeira vez desde muito tempo que um trabalho desses registra o contrário.
 
Mas porque será?
 
Eu tenho uma teoria... o clube do Internacional sempre foi mais popular, desde seus primórdios. Com o tempo isso foi se relativizando, mas no princípio desta rivalidade o Grêmio foi um time dos “mais elitizados” enquanto o Inter dos menos favorecidos economicamente. Questões de classe, raça e outras mais tiveram um impacto relativo nesta questão. Por ser o Brasil um país pobre de miscigenação muito diversificada, não nos resta outra conclusão senão crer que esse fator contou a favor do colorado.
Depois disso, nos anos 70 principalmente, o “Clube do Povo” se sagrou tri-campeão nacional. O primeiro time no Sul do país a ganhar a notoriedade que era reservada unicamente aos paulistas e cariocas. Uma geração maciça de colorados se criava, consolidando-se em um número muito maior do que de gremistas.
 
O Internacional também é conhecido como "Clube do Povo" por ter agregado em sua torcida as camadas sociais mais pobres no passado

Após esse período, como disse antes, foi superado a questão de popularidade. “Ricos” e “pobres”, credos e cores se misturaram na torcida da dupla Gre-Nal. Consequentemente, esse fator deixou de ser um peso tão importante assim.
Entendo que o grande impacto na mudança foi a geração de Renato Gaúcho nos anos 80. Títulos e mais títulos começaram a “mexer” nesta gangorra de torcidas Gre-Nal. No final daquela década, o time do Beira-Rio chegou perto por duas vezes de um título brasileiro e parou em semi-final de Libertadores. Mas “título” que é bom, nada!
Na década seguinte, apesar de ter sofrido um rebaixamento, o tricolor lavou a alma de sua torcida ganhando praticamente tudo que disputou. Do lado colorado a escassez de canecos acompanhada de uma crise financeira em administrações muito ruins deixou o time às sombras do rival.
 
Anos 80 de grandes títulos para o Grêmio, com os anos 90 de predomínio quase exclusivo no Rio Grande do Sul
 
Com absoluta certeza, a geração de torcida formada nos anos 80 e, principalmente, nos anos 90, inverteram esta gangorra. Claro que o número de gremistas superou o de colorados. Não me resta qualquer dúvida que as pesquisas realizadas neste início de século foram fidedignas.
Porém, no início do século XXI o Internacional começou mudar as coisas dentro de campo. Títulos e mais títulos acompanhado de mais um rebaixamento do rival favoreceu a criação de uma nova geração, agora de torcedores do Inter.
Desta vez é o Grêmio que não conquista nada há muito tempo, enquanto a torcida do Inter se “esbalda” com os títulos recentes. Assim como no final da década de 80, quando o Internacional chegava muito perto, o Grêmio também só está batendo na trave e não levanta um grande título.
 
Enquanto o rival não conquista grandes títulos, o Inter "empilha" taças
 
Como isso acontece na prática?
 
Simples... crianças, seres humanos em formação, já vivem em grupos sociais desde muito cedo na escola e representam o futuro de uma sociedade. Elas ditarão as regras no futuro criando tendências conforme forem formadas em suas concepções pessoais. Não poderia ser diferente na questão de torcidas no futebol!
A aprovação desta “aceitação” em seu meio condiz com vários fatores. Uma dessas é o “time que se torce”. Logo, “o time que ganha” vai necessariamente majorar seu número de fãs dentro daquele período! Lembro de minha época como estudante no ensino fundamental/médio. Éramos em mais ou menos 38 alunos na quinta e na sexta série, por exemplo. Pelo menos 30 desses eram gremistas! As meninas usavam a camisa do Grêmio, estava na “moda” torcer pelo tricolor. Ser colorado era exclusão, ficar de fora daquela festa. Torcer pro Inter era quase um motivo de piada e de chacota, o tempo inteiro a gurizada zoava a gente. Lembro até como era até difícil fazer um Gre-Nal no recreio para bater uma bolinha.
Este fenômeno se inverteu agora porque um tomou o lugar do outro no rol de campeões. Uma época inteira de predomínio mudou. Em ambos os momentos não houve equilíbrio. No Rio Grande do Sul dificilmente temos uma temporada em que a dupla Gre-Nal conquista títulos importantes simultaneamente.
 
Naturalmente as crianças acabam sofrendo influencia na escola para torcer pelo time em melhor momento. Ser aceito em um meio social é da natureza do homem
 
Voltando ao foco, a primeira influência do “novo torcedor” vem da família, claro... levar o guri pro campo, mostrar o fanatismo em casa acima de tudo, exercer o papel de herói do piá (seu pai, principalmente) vestido com as cores de um time, são fatores que fazem a diferença. Mas como todo mundo sabe, nem todo filho segue este caminho e nem toda família “impõe” sua condição de torcida. Logo, é na escola (05 aos 12 anos) que se forma a maioria dos torcedores, geralmente encaminhada para o time “que ganha”.
Francamente eu “ainda” acreditava que a torcida do Grêmio era maior e que este fenômeno demoraria um pouco mais para acontecer, apesar de crer que em breve fatalmente ocorreria. Porém, contra números e fatos não se discute! A torcida do Internacional é, mais uma vez e por tudo que analisamos, novamente a maior do Rio Grande do Sul.
 
Saudações Coloradas
 
Imagens: Portal do SC Internacional e ClicRBS

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Futebol ofuscado mais uma vez pela torcida

Gre-Nal sem Arena? E mais uma dos “heróis de Oruro”!
 
Em nível nacional, os destaques da rodada pelos estaduais “deveriam” ser os clássicos Palmeiras x São Paulo e Botafogo x Vasco. Mas quem roubou a cena? Quem??? Mais uma vez a barbaridade das torcidas. A mais grave foi provocada pelos corintianos que invadiram o CT Joaquim Grava antes da partida contra a Ponte Preta. A ação promovida por mais de duzentos desocupados foi no intuito de cobrar “atitude” dos jogadores. A derrota vexatória em Santos por 5 x 1 pesou muito.
 
Defender esses caras? Muita gente provou do próprio veneno!

Já havíamos avisado aqui mesmo no Blog que a paz no Corinthians terminou ano passado. Essa seria (como se provou ser) uma temporada de cobranças. Contudo, por lá as coisas extrapolam, mais do mesmo de novo. Funcionários e atletas agredidos, furtos, quebra-quebra, enfim. A única ressalva que faço neste momento é o sentimento misto de tristeza e gratificação que senti. Tristeza, lógico, porque estamos todos saturados com esse tipo de coisa; gratificado, contudo, por assistir a crônica irresponsável que tratou os “heróis de Oruro” como vítimas, lhes atacando neste momento pela atitude marginal que cometeram. Jornalistas sensacionalistas ou cambada de oportunistas? Acho que os dois! 
Sem um pingo de escrúpulos e responsabilidade, essa “pseudo-mídia” formou opinião positiva sobre esse “bando” para agora criticá-los por envolvimentos nas mais diversas confusões Brasil a fora.
No Estádio Alfredo Jaconi os gremistas jogaram dois rojões em cima do goleiro do Juventude, enquanto a torcida Colorada tomou um “cala boca” de Rafael Moura. Duas atitudes ridículas dos torcedores! A do Grêmio pela covardia praticada que lhe deve custar o mando de campo, inclusive. Ruim para o Gauchão e péssimo para o Gre-Nal. Todo mundo perde!!!
 
Covardes e burros

Já a do Inter pela falta de personalidade em Novo Hamburgo... oras, o R. Moura (que custou uma fortuna e não jogou nada desde que chegou) manda a torcida se calar depois de um golzinho que até minha avó de bengala faria. Para que aplaudir depois? Devia ser vaiado até o fim, multado pela direção e sacado da equipe pelo treinador. Atitude de moleque que parece não estar preparado para vestir a camisa de um grande Clube. Claro que o torcedor precisa apoiar e ter um pouco de paciência, mas assim como Forlán, esse R. Moura não deu certo no Inter. Pra que insistir?
 
Inaceitável!

Ah, quase ia esquecendo... o Palmeiras venceu o São Paulo, o Vasco derrotou o time reserva do Botafogo e o Corinthians perdeu a terceira consecutivamente em Campinas. Inter e Grêmio seguem líderes em suas chaves.
 
Pitacos:
 
- O Inter de Abel está muito lento;
- Em uma semana é praticamente impossível corrigir a falta de velocidade deste time para o clássico;
- Sacar Otávio do time para dar lugar a J. Henrique foi um erro;
- As caras novas do Colorado foram relativamente bem;
- Paulão joga sério, Gilberto não compromete e o tal Aránguiz é um bom jogador;
- O gringo, inclusive, é o segundo volante que trabalha a bola, tanto pedido em 2013;
- Willians vai ter que fazer esta função de primeiro volante de agora em diante;
- Alex e D’Alessandro são fracos na marcação;
- Logo, ambos os laterais vão ter que aprimorar exaustivamente a função defensiva;
- Fabrício e Gilberto são marcadores de boa percepção. A aplicação tática fará a diferença;
- Pelo lado gremista, uma parada duríssima em Caxias;
- O time melhorou muito com a entrada de Jean Deretti, conseguindo o empate;
- Mas verdade seja dita, o Juventude cansou e teve de substituir seus dois melhores jogadores;
- Aí o time de Enderson Moreira cresceu em campo;
- Douglas caiu na esquerda, nas costas de Pará;
- Diogo Oliveira variou do meio para a direita, se aproveitando dos avanços de Wendel;
- Zulu, centralizado, levava um com ele sempre para dentro da área;
- Essa formação bagunçou o setor defensivo do Grêmio;
- Os laterais gremistas são marcadores muito ruins, mas fortes no apoio;
- Presos, os laterais do time da casa deram liberdade para os homens de frente;
- A triangulação do Juventude forçou Rodolfo e Bressan a sair para a cobertura;
- Um desastre!
- A equipe do interior não venceu o jogo porque pecou nas finalizações;
- Faltou gás para acompanhar o bom preparo do time da capital no fim;
- Avisei, repito e bato nesta tecla: com alas ofensivos o time tem de abdicar de um meia!
- O Grêmio fica desguarnecido contra adversários que jogam fechados;
- Sem cobertura qualificada, a equipe pode ser facilmente envolvida na Libertadores por adversários muito mais fortes tecnicamente e fisicamente que o Juventude;
- Claro, jogando de igual para igual (como deve ser o Gre-Nal), as coisas podem dar certas para o Grêmio;
- Zé Roberto sentiu muito a falta de ritmo;
- O Palmeiras é o grande destaque em São Paulo;
- Mas eu chamo a atenção para o Santos;
- Arouca está jogando muito, Cícero e T. Ribeiro estão voando e Gabi Gol é muito rápido;
- Uma equipe veloz, fatal em contra-ataques;
- Osvaldo de Oliveira precisa acertar a compactação atrás;
- Quando isso acontecer, o time da Vila Belmiro será forte candidato a títulos em 2014;
- L. Damião, centroavante fixo, terá espaço em uma formação dessas?
- Meio de semana, CA Paranaense e Botafogo têm o primeiro grande desafio da temporada;
- Muito mal nos Estaduais do RJ e do PR, ambos chegam pressionados para a partida de volta pela Libertadores (fase pré);
- Ambos, com força máxima, se recuperariam tranquilamente no Regional;
- Porém, uma eliminação agora pode significar uma ré gigantesca;
- Nem um título Estadual salvaria o semestre;
- Alguém apostaria que os dois times brasileiros se classificam para a fase de grupos?
- Eu não.
 
Saudações Coloradas
 
Imagens: Portal UOL

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Planejamentos e estratégias diferentes

Um dá moral pra galera, o outro prioriza a competição maior
 
Inter e Grêmio entraram em campo ontem pelo Campeonato Estadual. No Estádio do Vale, o Colorado venceu o São Paulo de Rio Grande por 2x1 e, em Pelotas, o Tricolor voltou com um bom empate diante o Brasil local.
Com uma equipe formada por jogadores considerados “reservas”, enxertada por garotos da base, Abelão reestreiou no Inter oficialmente. Para os atletas do elenco profissional relacionados, foi o primeiro compromisso na temporada. Pelo lado do Grêmio, que guardou seu grupo principal priorizando a Libertadores da América, os jovens atletas do time Sub-23 voltaram a campo em uma partida dificílima no Bento Freitas.
 
Abel Braga foi a estrela do Inter em Novo Hamburgo

No Estádio do Vale o time do Internacional sofreu com a falta de entrosamento. Com bolas longas pelo lado, algumas tabelas e, principalmente, jogadas individuais a equipe construiu dois gols. O primeiro (uma pintura) foi assinalado no início do confronto de bola parada em cobrança de C. Winck. Na segunda etapa o atacante E. Sacha, que entrara no lugar de Valdívia, ampliou. Os visitantes diminuíram e até equilibraram o jogo, mas nada que oferecesse risco iminente aos 100% de aproveitamento Colorado no Gauchão.
Já em Pelotas uma verdadeira guerra! Uma das melhores (se não a melhor) equipe do interior envolveu os meninos do Grêmio com muita força, na base da pressão. Toda a defesa do time da capital foi MUITO mal na partida. Spessatto (que eu havia destacado aqui no Blog) fez questão de queimar minha língua, tendo uma péssima participação no jogo. Follmann foi a exceção, fazendo uma exibição brilhante. Os donos da casa abriram o marcador logo cedo e tiveram inúmeras chances para ampliar. Mas na etapa complementar, como se diz no jargão “quem não faz leva”, teve o castigo. Uma linda trama gremista culminou no gol de empate. Foi um grande teste para esses meninos! Experiência se ganha em situações como esta. O Brasil tem um time muito duro e enfrentar o Xavante lá em Pelotas com estádio cheio, é uma situação "indigesta".
 
O Grêmio encarou uma parada muito complicada no Bento Freitas

A princípio fui contra a decisão de Abel. Em minha opinião ele devia manter o time Sub-23 (que vinha ganhando todas) ou ir a campo logo o grupo principal, completo de uma vez. O técnico preferiu mesclar, dando mais um gás aos suplentes. “Acho” que o treinador quer ganhar a moral do grupo inteiro, oportunizando chances para todo mundo. Só lembro o seguinte: “quem tenta agradar todos no futebol, acaba não agradando ninguém”.
Em relação ao Grêmio, acho que Enderson Moreira acertou. Jogar apenas aos fins de semana é correto. Para isso tem time "B"! Saber priorizar, pegando cancha aos poucos sem arriscar a condição física de seus jogadores mais importantes "pode" fazer a diferença no final. O desafio maior é a Libertadores da América e o torcedor Tricolor precisa entender que quem faz tudo ao mesmo tempo, no fim, não faz nada.
 
Pitacos:
 
- A polêmica falta quase na linha da área do Grêmio nem podemos dizer que foi marcada corretamente;
- Mas deixou o árbitro "louquinho" para dar um pênalti;
- Menos mal pro Grêmio que R. Foster sentiu o peso no fim e desperdiçou;
- João Afonso, Valdívia e W. Paulista, os três muito mal ontem;
- Otavinho também não me agradou;
- Sacha entrou, marcou e comemorou muito seu gol pelo Inter;
- Logo, Abel é famoso pelos seus “bruxismos”;
- Porque?
- Oras, Murilo era reserva no Sub-23, Aylon o grande destaque até agora e ambos estavam no banco ontem;
- Apenas Murilo teve uma chance no time adulto;
- Se Aylon entra e arrebenta de novo, como barrar alguém do grupo de cima?
- Tomara esteja errado, mas se o Abel estiver acreditando “mesmo” que R. Moura e W. Paulista darão conta do recado, eu já começo me preocupar;
- Pra que segurar o guri? Medo de ofuscar os medalhões?
- Com a sequencia e os gols marcados que ele tem, Abel não precisa se preocupar em queimar Aylon pelo Gauchão;
- Quem não lembra do Pato pegando banco do Michel em 2007?
- Falando em Pato... desta vez o ex-Colorado não tem culpa alguma no vexame de seu time;
- Quem pagará o “pato” no Corinthians depois deste 5x1?
- Tite foi demitido porque esse time não fazia gols em 2013;
- Mas também foi campeão de tudo com uma das defesas mais sólidas da história deste Clube em sua trajetória;
- Ano passado “pagou o pato” pela fase ruim de seus atacantes, além das contusões que afastaram Guerrero e R. Augusto;
- Defensivamente o time nunca deixou de ser eficiente, mas como só empatava em 0x0, colocaram a culpa no técnico;
- Na prática, menos mal pro Timão... esse resultado não vale muita coisa;
- A fórmula do Campeonato Paulista favorece DEMAIS os grandes;
- Mas o alerta está ligado. Dói demais goleada em clássico, então "abre o olho Mano"!
- No Rio os times grandes voltaram a vencer;
- Contudo, eu ainda acredito que ao menos um pequeno leve uma vaga nas finais;
- Já a Libertadores começou para o Brasil;
- Duas derrotas na nossa conta!
- São placares tranqüilamente reversíveis;
- Porém, o revés de Botafogo e Atlético-PR fora de casa nesta fase pré comprova aquilo que disse antes aqui mesmo no Blog;
- É muito provável que, após muitos anos, não tenhamos times brasileiros na final;
- Cruzeiro pode conseguir, o Galo tem uma chance também;
- Mas o restante corre por fora, não são favoritos. Em outros anos chegávamos com 4 ou 5 candidatos com chances reais de título;
- O enfraquecimento de nosso futebol deve emparelhar as coisas na América;
- Isso é um reflexo direto da economia e das "loucuras" que se fazia aqui. Houve pouco investimento no futebol e as equipes perderam muita gente de peso.
 
Saudações Coloradas
 
Imagens: Portal UOL

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Grêmio versão “2014”

Primeiras impressões...

Na terceira rodada o Tricolor “estreou” no Gauchão pra valer. Apesar das incógnitas quanto ao elenco definitivo para a disputa das competições de primeiro semestre (seja por quem vem e por quem fica ainda), já podemos ter uma idéia do que o novo comandante E. Moreira prepara.
 
Edinho, "agora gremista", comemorando seu gol com muito fervor!

Ter encarado o fraco Lageadense neste Domingo justifica a ofensividade do time. Não teria lógica o técnico gremista utilizar as partidas do Estadual como teste, ousando única e exclusivamente por conta da fragilidade de seus adversários. Na minha opinião, esta não será a formação ainda, mas o encaixamento defensivo está sendo trabalhado. Penso que ele está aprimorando o negócio com três volantes, não três atacantes.
Por que?
Barcos e Kleber Gladiador na frente com Maxi no banco, ou o uruguaio na função de meia-atacante bem aberto com um dos dois antes citados na reserva. Alguém sai para a entrada de um distribuidor de jogadas nesta formação.
Maxi é um jogador mais agudo, de carregar a bola, arrematar de longa distância, driblar, fazer “1x2”, abrir pelo lado, enfim... o gringo, como dissemos antes, é um meia-atacante, não um meia clássico. Os outros três meio-campistas, nenhum deles, pode fazer a função de organizar na meia cancha. Sem Elano, eu acredito que E. Moreira vai pedir aos seus diretores que renovem o contrato de Zé Roberto. Mesmo carregando quarenta anos nas costas, seu profissionalismo e toda sua devoção religiosa lhe afastam dos “prazeres da vida”, tão usufruídos pela boleiragem. Sem vida noturna e cachaça prejudicando o seu rendimento, ele serve para a posição.
Uma goleada que dá moral, tranquilidade e respaldo ao grupo. Certo é que o time perdeu um leque de opções em relação ao ano passado, por isso estou surpreso pelo volume no esquema com três volantes. 4 x 0 saiu barato!
 
Grêmio "sobrou" em campo!

Mas repito: Lageadense não é parâmetro! O Grêmio “deve” abdicar de Maxi ou um dos atacantes para ter em campo um articulador de ofício. Se abrir mão de um dos volantes a defesa ficará sobrecarregada em partidas mais complicadas. Os laterais sobem muito e não são exímios marcadores. O que não dá é pegar uma Libertadores sem um armador no meio!!!

Pitacos:
- Marcelo Grohe voltou para o segundo tempo com a camisa 12;
- Normal para quem estava acostumado com a reserva;
- Quando foi exigido, mostrou segurança e confiança;
- A torcida se mostra ao lado dele... isso ajuda muito;
- Parte da crônica especializada entende que trocar Souza por Rhodolfo é um erro;
- Edinho estreou fazendo gol;
- Comemorou muito com a camisa Tricolor;
- Como já disse aqui no Blog, boleiro não torce pra ninguém e só joga para si mesmo;
- O time “B” do Grêmio volta a campo na próxima rodada;
- Planejamento inteligente da direção. Preparar o time principal em jogos pra valer "apenas" no fim de semana diminuindo consideravelmente as possibilidades de desgaste e lesão;
- Aylon, de novo ele;
- O garoto Colorado já faz sombra para os jogadores da equipe de cima;
- Clemer comemorou mais uma vitória, Inter 100% no Gauchão;
- Cláudio Winck é bom;
- Mas só vira opção para o elenco principal porque a lateral é uma função carente no grupo;
- Está mal fisicamente, precisa ganhar massa (força) e aprimorar sua marcação;
- A primeira obrigação do lateral é marcar, depois atacar;
- O tal Murilo, que havia comentado aqui, ganhou uma chance de titular ontem;
- Foi bem o garoto, mas precisa evoluir muito ainda;
- Scocco deve deixar o Inter nesta semana em definitivo;
- Com as equipes “B” em campo, as partidas da dupla Gre-Nal são equilibradas no Gauchão;
- Mas a superioridade dos times principais extrapola os olhos da gente;
- Por isso uma vitória ou qualquer ponto que um time do interior conquistado em cima das forças “A” de Inter e Grêmio deve ser motivo de muita comemoração.

Saudações Coloradas
Imagens: Portal Globo.com

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

E os garotos da dupla Gre-Nal?

Impressões após duas rodadas
 
Inter e Grêmio, como de costume, começam o Campeonato Gaúcho com times “B”. O grupo principal realizada parte da pré-temporada competição à dentro e este é o momento das jovens promessas mostrarem trabalho.
Em havendo um confronto entre os dois, apostaria minhas fichas no Colorado (mais equilibrado), contudo, individualmente os meninos do Tricolor têm um número maior de destaques.
Assisti cada uma das equipes pelo Estadual e concluí o seguinte: o Inter tem ao menos três jogadores interessantes, já o Grêmio teria cinco que merecem uma atenção. Vamos lá:
 
Aylon (Inter): rápido, inteligente e muito agudo na frente. O atacante serve para atuar mais pelo lado, sabe entrar em diagonal, mete gol e me lembra o R. Sóbis nos seus bons tempos. Precisa amadurecer para não sentir tanto o “dedo na cara”. Futebol é um esporte de muita malandragem e isso se ganha com cancha. A zagueirada, é claro, não vai aliviar... então o Aylon não pode se intimidar com isso. Contra o N. Hamburgo ele sentiu!
Cláudio Winck (Inter): o mais ovacionado pela crônica e sem dúvida o mais técnico de todo o grupo. Tem um diferencial com a bola parada, finalização à gol e na jogada aérea. Esse último quesito é algo raro para um lateral. Peca um pouco defensivamente e isso tem de ser consertado nos treinos porque a primeira função na sua posição é marcar, depois apoiar. Está muito mal fisicamente e precisa ganhar corpo!
Gladestony (Inter): um bom volante... voluntarioso. Como está afoito e tem muita vontade erra passes simples, mas se souber soltar a bola curta, pode servir. Sinto que tem confiança, mas a repetição nos treinos deve ser realizada em exaustão. Isso pode atenuar suas limitações.
 
Aylon, atacante de destaque no Inter Sub-23

Obs.: O time de Clemer “morre” no segundo tempo. Como sua equipe consegue construir o placar na primeira etapa, os meninos se mostram com inteligência para manter o resultado até o fim. Me parece terem aprendido a lição naquela partida em Pelotas. No geral, a equipe está de parabéns porque além de estar muito bem aplicada taticamente, obteve 100% dos pontos disputados até agora, algo muito difícil. O goleiro é apenas regular e a dupla de zaga não brinca em serviço. Rodrigo Dourada (um volante) “parece” que pode mais, os meias são abaixo da média, o lateral esquerdo não passa do normal e os outros atacantes não tem nada de diferente. Murilo, que está no banco, fez uma fumaça na frente quando entrou em campo, porém, foi pouco tempo para fazer uma avaliação.
 
Everton (Grêmio): Muito jovem ainda, contudo, tem qualidade para se tornar um bom jogador de ataque. Habilidoso e veloz! Como é jovem demais, precisa trabalhar muita coisa ainda. Digamos que é uma jóia a ser lapidada pelo comando técnico. Cancha se pega jogando, mas antecipar etapas pode acabar queimando o menino.
Spessatto (Grêmio): Pra mim este garoto merece atenção. É um lateral de ofício, marcador e eficiente. Muito maduro para sua idade e detentor de uma personalidade destacável. Vi ele como um atleta aplicado, aquele tipo de jogador que treinador gosta porque não inventa fazendo o básico muito bem.
Moisés (Grêmio): Ótimo volante. Precisa adquirir um condicionamento mais apropriado, mas se destacou nesse time gremista. Quem o assiste jogar, percebe sua importância na meia e quanto sabe chegar apoiando na frente. Pode ser trabalhado para atuar como segundo volante, algo raro no mercado da bola hoje em dia.
Everaldo (Grêmio): Um centroavante de respeito. Muito jovem e precisa ser trabalhado, porém tem tempo de bola, sabe girar e fazer o pivô. É consciente taticamente. Falta ganhar massa e precisa ter mais voluntariedade quando a bola não chega. Falta um pouco de movimentação para puxar a marcação sobre ele.
Luan (Grêmio): Gostei deste jogador. Também lhe falta um pouco mais de voluntariedade, mas isso se corrige. É habilidoso, possui boa técnica... Jogador para ser trabalhado porque não está pronto ainda, mas tem plenas condições de se tornar um meia-atacante do time principal no futuro.
 
O Grêmio tem boas opções em casa para compor o elenco principal

Obs.: O goleiro foi mal nos dois jogos, a dupla de zaga é fraca, o lateral esquerdo não tem nada demais e os demais não passam de regulares. O time de Mabília é desequilibrado e por isso o conjunto não rende mais. Ao tempo que possui bons jogadores, tem outros abaixo da média. Falta um pouco de pegada para esta garotada também, uma marca registrada nos times do Grêmio que não se vê nessa equipe. Apesar da derrota na estréia, a direção precisa considerar a importante os três pontos conquistados sobre o Lageadense em casa, mesmo que o gol da vitória tenha sido assinalado de pênalti em cima da hora.

Os meninos de Clemer terão mais oportunidades até que o time principal comece a defender o Clube pra valer neste Gauchão, já a garotada de Mabília vai ter que esperar a equipe principal jogar pela Libertadores para ter outra chance. No geral a dupla Gre-Nal está de parabéns porque sempre tem em casa a receita certa para fabricar talentos. A base dos dois são muito forte e poucos times têm tantas opções nas equipes de baixo para subir pro time principal.

Pitacos:
- O Grêmio não se abdicou de disputar o Estadual;
- Francamente acho perigoso aglomerar tantos compromissos em ano de Libertadores;
- Priorizar é necessário, ainda mais com um calendário tão complexo como deste ano;
- O Tricolor ganhará mais ritmo, mas pode perder na frente com lesões (principalmente musculares);
- No Colorado, Forlán não deixou saudades;
- Agora acreditar em He-Man, senhor Abel, é apostar alto;
- W. Paulista veio bem de Santa Catarina, porém, o técnico já deu moral pro R. Moura desde que retornou ao Inter;
- O Campeonato Carioca está horrível;
- Pelo Brasil à fora os times grandes estão penando nos Estaduais;
- Parabéns aos Clubes do interior que equivalem forças graças a pré-temporada realizada com bastante antecedência;
- A dupla Atle-Tiba abdicou por completo do Paranaense;
- Ano passado os dois fizeram a final, mas o Coxa (campeão) foi com o time principal desde o início;
- As equipes vão agüentar a pressão e manter times de base até o fim, se os resultados não vierem?
- Falando em Paraná, duvido tirarem Curitiba da Copa!
- Mesmo que a Arena da Baixada seja entregue depois da data limite, quatro partidas do Mundial vão ser realizados lá, podem me cobrar;
- Mas que as obras estão atrasadíssimas, ah estão!


Saudações Coloradas


Imagens: Globo.com


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

A economia e o mercado da bola

Contratar ou “se livrar” de jogadores?
 
Começamos oficialmente o ano da Copa do Mundo! 2014 terá um calendário apertado, por isso vários jogos válidos pelos estaduais já foram disputados pelo Brasil a fora. O mais estranho é que nem parece ter começado pra valer! Ficou aquele “gostinho” de especulação intertemporada que estávamos acostumados, com bastante gente nova nos Clubes e muita movimentação nos elencos. O mercado ficou praticamente morto. 
O torcedor se habituou a contrações “bombásticas”, craques que escolhiam atuar em nosso país recheando os campeonatos com nomes de peso. 
Rolava uma expectativa gigantesca! 
Um momento favorável em nossa economia e a quebradeira mundial colocou os Clubes daqui num patamar privilegiado na América do Sul. Não é a toa que desde 2005 só temos final de Libertadores com, ao menos, um time brasileiro na disputa. A supremacia foi tão grande no período que a Conmebol precisou mudar as regras da competição, evitando confrontos de equipes do mesmo país reiteradamente na decisão desta taça.
Claro, não chegamos perto do poderio financeiro europeu (longe disso), mas os altos salários daqui, os calotes de lá, a visibilidade para a Seleção e a proximidade com sua terra natal serviu para atletas sul-americanos (não somente brasileiros) se sentir tentados em atuar aqui.
 
Seedorf casado com uma brasileira, hoje técnico do Milan, desembarcando no Rio para defender as cores do Botafogo

O que falar do absurdo que foi a grana investida para manter Neymar na Vila Belmiro por tanto tempo?!
Neste momento, porém, a economia do Mundo inteiro está entrando nos trilhos e o período de “vacas gordas” por aqui já é coisa do passado. Muita loucura foi feita nestes anos e os dirigentes estão com uma herança maldita nas mãos. Os vínculos, além de ter salários altíssimos, são de duração relativamente grande. Os custos com as novas Arenas, não apenas as reformas propriamente ditas, mas as questões contratuais com as parcerias também pesam nesta conta.
E agora?
O que mais se vê é time “tentando se livrar” de jogadores com alto custo. Se faz qualquer negócio! A política de enxugamento é geral. No Flamengo, pra piorar, a dificuldade é tão gigante que se vê lá é um esforço descomunal para manter seu time base, nem se fala muito em contratar na Gávea. Os cariocas vão penar na competição continental deste jeito.
 
Arena do Palmeiras... realmente linda! Mas quanto custará aos cofres do Clube todo este luxo?

Exceto o Santos que fechou com L. Damião e o Fluminense que trouxe Conca de volta, qual outro Clube assinou um contrato de impacto neste ano? Se compararmos com os outros anos, essas nem seriam contratações impactantes!
Já era o tempo de ver desembarcar em solo tupiniquim Ronaldo Gaúcho, Ronaldo Fenômeno, Roberto Carlos, Fred, D’Alessandro, Deco, Forlán, Maxi López, Adriano, Pato, L. Fabiano, Seedorf, Loco Abreu, etc.
Qual o efeito prático nisso?
Acho que a Libertadores deste ano será mais equilibrada. Se nossos maiores adversários não evoluíram muito, os candidatos brasileiros chegam bem mais fracos do que em edições recentes.
Outra situação que temos de ficar atentos e a possível “quebradeira” geral. Em não havendo um enxugamento rápido, os Clubes naturalmente vão sofrer muito correndo o risco de não honrar seus compromissos. Esta “bolha” força todo mundo priorizar a base e nomes com pouca expressão.
Definitivamente a hegemonia brasileira na Libertadores “tende” a sofrer um duro golpe já neste ano!
 
Pitacos:
 
- Guardem esse nome: Aylan, atacante do Inter;
- Desumano a situação ao qual o Grêmio foi submetido no Passo D’Areia;
- Não podemos tirar os méritos do São José, mas a gurizada Tricolor roeu o osso Domingo;
- Exceto RS e PR, times do Brasil inteiro encurtaram a pré-temporada;
- No RJ três grandes tropeçaram e em SP o Tricolor perdeu na estreia;
- O resto venceu apertado;
- A chuva de liminares sobre o caso “Héverton” é culpa exclusiva do STJD;
- Como órgão da CBF, reiteradas vezes o colegiado optou por decisões políticas;
- Disse antes aqui mesmo no Blog e achei que deveriam manter a decisão do campo;
- Perderam a oportunidade e agora o que se vê é um pavor no meio futebolístico;
- O “calendário apertado” deve se tornar a desculpa para consertar a burrada cometida antes;
- Se preparem para um Brasileirão com 24 ou 22 times.
 
Saudações Coloradas
 
Imagens: Portal Globo.com

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

ANO NOVO, NOVA ESPERANÇA, NOVAS NOTÍCIAS VELHAS!



Este ano quero paz
No meu coração
Quem quiser ter um amigo

Que me dê a mão
O tempo passa e com ele
Caminhamos todos juntos
Sem parar
Nossos passos pelo chão
Vão ficar
Marcas do que se foi
Sonhos que vamos ter
Como todo dia nasce
Novo em cada amanhece
r
No primeiro post do ano, trouxe a mensagem simples e bela que a letra acima nos remete, embora saiba que a mesma tenha sido usada como mensagem oficial do governo militar em plena ditadura, nos anos de chumbo (e ferro) da história do Brasil.
Mas mesmo sendo um ano que promete muita agitação tanto na área esportiva (Copa do Mundo) como política (eleições até em nível presidencial), temos no início a mesma rotina de todos os anos: muitos boatos de negociações, algumas alterações nos plantéis (mais saídas que entradas) e pouquíssimas aquisições com peso suficiente para serem consideradas como reforços.
São mais barganhas para se verem livres de alguns pesos mortos, mesmo com o compromisso absurdo de bancar metade ou parte dos salários de quem vai jogar(?) em outra agremiação!
Isto pode ser bom ou mau, dependendo do ponto de vista de cada um.   

Estive relendo posts antigos no Blog, e pude constatar que chega a ser difícil escrever algo novo, (que não sejam os nomes dos atletas), pois tudo se repete com a mesma precisão das ondas do mar: uma diferente da outra, mas no fundo todas iguais e todas passam!

Nós gremistas fechamos mais um ano sem título, porém com uma campanha digna de um grande clube, pelo menos no Brasileirão!
Mas como a esperança é imortal, acredito que é uma fase que também passará, e logo logo estaremos comentando coisas melhores do que essa rebordosa das festas de fim de ano e de pré-temporada!
Os colegas colorados já não podem dizer o mesmo, e agradeceram aos céus que o ano terminou assim, pois por muito pouco não foi bem pior!
Como diria o recém saudoso Nelson Ned: “Mas tudo passa, tudo passará!”